Receber o diagnóstico de autismo de um filho costuma ser um divisor de águas. Para muitas mães, esse momento vem acompanhado de medo, dúvidas e uma sensação de estar completamente perdida. Este guia foi criado para te ajudar a entender os próximos passos de forma prática e realista.
O choque do diagnóstico
É completamente comum sentir um turbilhão de emoções: negação, tristeza, culpa, medo do futuro e até alívio por finalmente ter respostas.
Cada mãe reage de uma forma, e não existe “certo” ou “errado” aqui. O problema começa quando você tenta ignorar esses sentimentos ou se cobra por “precisar ser forte o tempo todo”.
O diagnóstico não muda quem seu filho é. Ele apenas dá um nome para as dificuldades e, principalmente, abre portas para apoio e intervenções adequadas.
Primeiros passos práticos
Depois do diagnóstico, é fácil cair em um excesso de informações e não saber por onde começar. Foque no básico:
- Entenda o nível de suporte do seu filho;
- Organize uma rotina previsível;
- Observe os principais desafios (comunicação, comportamento, sensorial);
- Comece intervenções o quanto antes (mesmo que de forma simples).
Você não precisa resolver tudo de uma vez. Comece pelas dificuldades mais urgentes. Com a Maria, por exemplo, começamos pela fonoaudiologia, pois a ecolalia ela causava muitos prejuízos. Depois fomos adicionando outras terapias, dentro do que cabia no nosso orçamento e dentro da disponibilidade das clínicas na época. Escrevi passo a passo sobre o diagnóstico da minha filha, no post Dos primeiros sinais até o diagnóstico , clique pasa ler.
Pequenos passos consistentes fazem mais diferença do que tentar fazer tudo e se esgotar.
Profissionais importantes
Você não precisa caminhar sozinha. Alguns profissionais costumam ser fundamentais:
- Neuropediatra ou psiquiatra infantil
- Fonoaudiólogo (comunicação)
- Terapeuta ocupacional (sensorial e autonomia)
- Psicólogo (com foco em desenvolvimento infantil)
Dependendo do caso, outros profissionais podem ser incluídos. O mais importante não é a quantidade, mas a qualidade do acompanhamento.
O que NÃO fazer
Nesse momento de vulnerabilidade, é comum cair em armadilhas. Evite:
- Buscar “cura milagrosa”
- Comparar seu filho com outras crianças
- Seguir conselhos de qualquer pessoa sem critério
- Se sobrecarregar tentando fazer tudo sozinha
- Negligenciar suas próprias necessidades
Nem tudo que funciona para uma criança vai funcionar para outra. Autismo não é uma receita pronta.
Escrevi um pouco sobre minha experiência sobre ser mãe de autista e 10 coisas que aprendi. Leia aqui
Cuidando da saúde emocional da mãe
Esse é um ponto que muitas vezes é ignorado — mas é essencial.
Você também precisa de cuidado.
- Permita-se sentir.
- Não se culpe, cuide dos seus pensamentos e sentimentos
- Busque apoio (outras mães, grupos, terapia)
- Tenha momentos de pausa, mesmo que pequenos
- Evite viver apenas em função das terapias
Uma mãe emocionalmente exausta não consegue sustentar uma rotina a longo prazo. Cuidar de você não é egoísmo, é necessidade.
Conclusão
O diagnóstico não é o fim, é o começo de um novo caminho.
No início, tudo parece confuso e pesado, mas com o tempo, informação e apoio, as coisas se organizam. Você vai aprender sobre seu filho, sobre suas necessidades e, principalmente, sobre sua própria força.
Você não precisa ter todas as respostas agora.
Só precisa dar o próximo passo.
E depois mais um.
E mais um.
Quando você olhar pra trás, verá o quanto caminhou e cresceu. E você também vai ser apoio de outras mães. Assim como eu, hoje em dia.
Conte comigo na sua caminhada!
Com amor, Simone
@maedejoaninha
