Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

O MMS e a contaminação por mercúrio voltaram

Ou seria mais adequado dizer que nunca foram embora?

Estava acompanhando um post aqui no Instagram sobre a possibilidade de uma criança transitar no espectro do nível 3 de suporte para o nível 1.

O profissional foi muito honesto em dizer que ele nunca tinha visto isso acontecer em 26 anos de profissão.

E lendo os comentários, esse me chamou atenção:

Nos últimos anos, alguns tratamentos alternativos para o autismo e outras condições de saúde têm circulado em grupos de redes sociais e comunidades de pais em busca de soluções.

Um dos mais polêmicos é o Protocolo Kerri Rivera, baseado no uso do chamado MMS (Miracle Mineral Solution ou Solução Mineral Milagrosa).

Apesar das promessas de “cura” ou “melhora significativa”, trata-se de uma prática perigosa, sem comprovação científica e condenada por órgãos de saúde em todo o mundo.

O protocolo foi divulgado por Kerri Rivera em livros e palestras, apresentando-se como um “tratamento alternativo” para o autismo. Ele sugere a utilização do MMS de diferentes formas, incluindo ingestão oral, banhos e até mesmo enemas.

A ideia central é que o autismo estaria ligado à presença de “parasitas” ou “toxinas” no corpo, e que a substância poderia “limpar” o organismo.

Essa teoria não tem base científica. O autismo não é causado por parasitas, intoxicações ou elementos que possam ser “expelidos” do corpo com soluções químicas. Ele é uma condição neurológica com origens multifatoriais, envolvendo aspectos genéticos e ambientais.

O MMS é basicamente uma solução de dióxido de cloro, uma substância química usada como alvejante industrial para desinfecção de superfícies e tratamento de água. Não foi desenvolvido para consumo humano.

Quando ingerido, o MMS pode causar:
· Náuseas e vômitos intensos;
· Diarreia grave;
· Desidratação;
· Lesões no trato gastrointestinal;
· Problemas renais e hepáticos;
· Risco de intoxicação grave, podendo levar à morte.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o Ministério da Saúde, a FDA (EUA) e a OMS já emitiram alertas contra o uso do MMS, classificando-o como perigoso e sem qualquer evidência de eficácia médica.

Além de envolver o uso de uma substância tóxica, o protocolo coloca famílias em risco de:

  1. Danos físicos – o uso repetido de enemas e ingestão do produto pode causar queimaduras químicas internas e sequelas permanentes.
  2. Riscos psicológicos – crianças e adolescentes podem sofrer traumas físicos e emocionais pelo tratamento invasivo.
  3. Atraso em intervenções seguras – ao seguir práticas sem base científica, famílias podem deixar de buscar terapias baseadas em evidências, como a análise do comportamento aplicada (ABA), fonoaudiologia e terapia ocupacional.
  4. Exploração de famílias vulneráveis – o protocolo se aproveita da dor e do desespero de pais em busca de uma “cura” para o autismo.

Médicos, pesquisadores e associações científicas são unânimes: não existe cura para o autismo, e qualquer promessa nesse sentido deve ser vista com extrema cautela.

As intervenções recomendadas envolvem apoio multidisciplinar, estímulo ao desenvolvimento das habilidades da criança, respeito às suas necessidades individuais e garantia de inclusão escolar e social.

O Protocolo Kerri Rivera e o MMS representam um grande risco à saúde e não oferecem benefícios comprovados. É fundamental que famílias recebam informações seguras e baseadas em ciência para tomar decisões sobre o cuidado com seus filhos.

A busca por inclusão, respeito e apoio deve substituir falsas promessas de cura que podem colocar vidas em perigo.

Andrew Hall Cutler (1956–2017) ficou conhecido por desenvolver um método alternativo de quelação (processo químico de excreção de mercúrio) para auxiliar pessoas expostas ao mercúrio e outros metais pesados.

Cutler começou a estudar o tema após problemas de saúde relacionados à intoxicação por mercúrio, especialmente ligados a amálgamas dentárias (obturações metálicas que contêm mercúrio).

O método desenvolvido por Cutler se baseia em alguns princípios fundamentais:
· Uso de agentes quelantes específicos;
· Administração em intervalos fixos e curtos;
· Tratamento de longo prazo.

Controvérsias e Cuidados

Embora o método de Cutler seja amplamente discutido em fóruns e grupos de apoio, é importante destacar que ele não é reconhecido oficialmente pelas principais instituições médicas.

A quelação, em geral, só é indicada em casos específicos de intoxicação comprovada e deve ser acompanhada por profissionais de saúde qualificados.

Conclusão

Andrew Hall Cutler deixou um legado importante ao trazer à tona o debate sobre os riscos da exposição ao mercúrio e ao propor um protocolo de quelação diferenciado, que até hoje é seguido por muitos.

No entanto, qualquer tentativa de desintoxicação deve ser feita com cautela, sempre com orientação profissional, já que a automedicação com agentes quelantes pode trazer riscos sérios à saúde.

Em resumo: não existe comprovação de que a quelação pelo protocolo de Cutler (ou qualquer outro) funcione para autismo, e os riscos podem ser significativos.

O que pensa disso?

Me siga nas redes sociais
@maedejoaninha

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima